Essa é a história de um cavaleiro da idade média. Não lembro de que país era nem a que reino pertencia, mas lembro de sua sina.
O cavaleiro era uma pessoa não muito boa. Ele era politicamente bem incorreto. Nunca havia vencido uma batalha de forma limpa. Sempre teve vontade de lutar da maneira correta, mas não tinha talento e acabava sempre encostado na parede. Na hora que batia o desespero fazia qualquer coisa para ganhar. Assim conseguiu algumas vitórias e muitas derrotas. As vitórias tinham um gosto amargo. O gosto amargo de não se fazer a coisa certa. O medo também o atrapalhava. O medo de falhar.
O cavaleiro desde muito cedo foi visto como um jovem com enorme potencial. Um eterno potencial que nunca foi nem seria atingido. Isso lhe dava a sensação de que tudo que ela fazia era uma grande e enorme farsa. Que nunca teve chance de ser quem todos achavam que ele seria.
Até que um belo dia ele achou um amuleto. Por algum motivo ele amou o amuleto desde a primeira vez que percebeu que a peça lhe pertencia. O amuleto funcionava como uma fonte de energia. Na presença do amuleto tudo era mais gostoso. Tudo ganhava um sentido imperceptível para o cavaleiro até então. O amuleto passou a ser a vida dele. Seu presente e seu futuro. O passado, de alguma forma estranha, tinha deixado de existir. O amuleto ensinou-lhe que a vitória limpa podia existir.
O tempo foi passando e o amuleto parecia que estava perdendo a sua força. Já não trazia toda felicidade de outrora. Ainda assim ele sabia que amava aquele objeto de luz. Certo dia o cavaleiro pensou que talvez sua jóia precisasse de um tempo para recuperar tudo que já havia extraído dela. E ele esperou. Com muita dor ele esperou. Sem seu amuleto ele já não era mais nada. Nem se lembrava de como era antes da sua fonte de luz aparecer. As derrotas voltaram a acontecer. Mas ele sempre teve uma convicção: “Ele vai voltar. Fomos feitos um para o outro. Em breve, vai voltar.”
Os dias foram passando e o amuleto, ou a imagem que ele ainda tinha do amuleto, foi ficando cada vez mais distante. “Não quero mais viver” ele pensou. Pensou porque tudo que ele tinha era seu amuleto e sua dignidade. Quando o objeto se foi, ele se afundou tanto em suas próprias frustrações. Esqueceu da lição sobre vitórias limpas e mergulhou num poço sem fim. Acabou perdendo também sua dignidade. Nada mais restava.
Um dia remexendo em um casaco velho encontrou a sua peça rara e chorou. Chorou porque percebeu que seu amuleto sempre esteve ali e ele deixou de usá-lo. Não por opção, mas porque não sabia mais usá-lo. Tanto tempo afastados deixaram o cavaleiro sem rumo. Ele não confiava mais que poderia vencer o menor obstáculo que aparecesse. Em certo dia o cavaleiro, que já andava depressivo por não conseguir mais compreender o porquê de seu amuleto não funcionar, pensou que talvez devesse deixar o ele ir embora. Talvez para a posse de algum cavaleiro que merecesse ser dono de tamanha dádiva. Foi o pior momento da sua vida. Ele sentiu como se lhe arrancassem o coração do peito. Nada mais fazia sentido. Foi atrás da sua razão de viver. Sem essa razão não havia mais objetivos na vida. Ele sabia que se arrependeria muito se isso acontecesse.
Ele chorou, esperneou, mostrou que poderia ser feliz se tivesse seu amuleto de volta. O amuleto voltou para suas mãos. Depois disso ele percebeu que o amuleto nunca perdeu sua força. O cavaleiro que já não conseguia mais ver o bem que o amuleto fazia a ele. Ele então compreendeu que enquanto ele tivesse vontade de lutar, o amuleto estaria estar com ele. Se ele foi feliz para sempre? Quem sabe dizer?
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
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