Sou o que como! Pode ser uma
resposta pronta que veio a sua cabeça, mas veja bem, isso sequer foi uma
pergunta. Sei quem é você. Você é uma pessoa que tem uma família que você ama e
que provavelmente te ame. Você tem alguns amigos e muitos conhecidos com os
quais você acha que pode contar, mas na verdade você já sabe que irão te deixar
na mão. Tem uma ou duas pessoas em quem confia de verdade. Deixe-me pensar...
Você tem um emprego ou alguma
outra forma de ganhar dinheiro, um lugar qualquer em que você faz várias coisas
que não gosta para poder manter sua subsistência. Faz isso sem saber muito bem
porque, mas sabe que é certo, já o objetivo de vida de todos é ser alguém na
vida, o seu também é. Você sonha em ostentar riqueza, mas se faz de humilde, eu
entendo você. Nada é mais feio perante a sociedade que um pobre arrogante, não
pode deixar ninguém perceber esse seu desvio de caráter mesmo. Diz que todos
são iguais, porém se acha melhor que a maioria, pensa que está acima da média
da população e desvaloriza pessoas que não tem opiniões iguais as suas. Você
passou boa parte da sua vida numa mesa de escola aprendendo a obedecer e a ter
disciplina e alguma coisinha ou outra importante também, mas o que precisava
aprender mesmo era a obedecer. Pode ter
certeza que todas suas duvidas cabais foram distorcidas pela sua professora,
não por maldade, mas têm coisas que ela jamais falaria a uma criança, então ela
preferia mentir, e se você for professor também irá mentir. Você valoriza a
natureza apesar de não ter muito tempo de cuidar dela. Diz que não tem tempo
para reciclar, mas para produzir o lixo sempre encontra algum. Você mente em
pesquisas para não mostrar o quanto sua vida é vergonhosa. Finge que é feliz
para o trabalhador do Senso que eu sei. Você diz que tem pena de quem não tem o
que comer, mas quantas vezes você passou por um esfomeado e nem mesmo cogitou
ajudar, não é mesmo? Você foi criado numa sociedade com algumas morais
deturpadas, a maioria das informações que chegam a você é manipulada,
escondidas, mudadas ou exaltadas por interesses de terceiros. Você compra coisas que não precisa para se
sentir feliz, mas descobre em seguida que essa felicidade era ilusória, que na
verdade era outra coisa que você gostaria de ter comprado. Você se apaixona por
imagens, por projeções que faz imaginando como as pessoas são, e se desilude
cada vez que percebe que não era. Você sente mais compaixão por animais
abandonados que por moradores de rua. Você se encolhe de medo quando um negro
mal vestido passa por você a noite, mesmo que você também seja negro, e isso é
muito estranho, mas você faz. Você finge que é uma pessoa diferente em cada um
dos seus círculos sociais, representando papeis, dando respostas que se esperam
de você, mas tudo bem, nem você sabe qual dessas personalidades é sua, se é que
alguma delas é.
Eu sei quem você é, porque eu
também sou. Todos nós somos. Todos nós fomos criados por uma sociedade que nos
dá martelos e nos pede que coloquemos parafusos, você também sabe disso, você
também me conhece. Posso passar páginas
e mais páginas dizendo quem é você, quem sou eu, quem é seu vizinho. Mas espera
aí... Nem todo mundo é igual, pode pensar um leitor desavisado enquanto bebe
mais um gole de coca cola gelada. Ele
está errado, deveria ter ficado na internet, você pensou, eu também pensaria.
Quem ele pensa que é para me dizer assim o que eu penso, não sou igual a todo
mundo, sou especial, sou acima da média!