Crônicas Mais Lidas

A Maldição do Sapato Novo.

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Falta de um motivo.

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O Menor Conto de Fadas da História.

domingo, 9 de dezembro de 2012

INÉRCIA













Neste momento, eu desisti da vida
E fiquei suspenso no vazio
Sem movimento
Sem articulações
Apenas a mente trabalhava
Um turbilhão de pensamentos
Soltos
Sem conexão
Não procurando resoluções
Meu corpo estava ali
Inerte
Sem vida
Mas a cabeça trabalhava
 A mente torturava
Os pensamentos estavam a mil
 E eu estava ali
Sem vida
Eu desisti e fui atirado
Jogado ao nada
Sem valor, sem esperança
E sem pensar em voltar.


Poesia escrita por Gleydson Alves. Publicada em 25 de Agosto de 2012 no Blog  geneydson.wordpress Acesse, curta e se emocione.

Capítulo 1 - Quem você é

Sou o que como! Pode ser uma resposta pronta que veio a sua cabeça, mas veja bem, isso sequer foi uma pergunta. Sei quem é você. Você é uma pessoa que tem uma família que você ama e que provavelmente te ame. Você tem alguns amigos e muitos conhecidos com os quais você acha que pode contar, mas na verdade você já sabe que irão te deixar na mão. Tem uma ou duas pessoas em quem confia de verdade. Deixe-me pensar...
Você tem um emprego ou alguma outra forma de ganhar dinheiro, um lugar qualquer em que você faz várias coisas que não gosta para poder manter sua subsistência. Faz isso sem saber muito bem porque, mas sabe que é certo, já o objetivo de vida de todos é ser alguém na vida, o seu também é. Você sonha em ostentar riqueza, mas se faz de humilde, eu entendo você. Nada é mais feio perante a sociedade que um pobre arrogante, não pode deixar ninguém perceber esse seu desvio de caráter mesmo. Diz que todos são iguais, porém se acha melhor que a maioria, pensa que está acima da média da população e desvaloriza pessoas que não tem opiniões iguais as suas. Você passou boa parte da sua vida numa mesa de escola aprendendo a obedecer e a ter disciplina e alguma coisinha ou outra importante também, mas o que precisava aprender mesmo era a obedecer.  Pode ter certeza que todas suas duvidas cabais foram distorcidas pela sua professora, não por maldade, mas têm coisas que ela jamais falaria a uma criança, então ela preferia mentir, e se você for professor também irá mentir. Você valoriza a natureza apesar de não ter muito tempo de cuidar dela. Diz que não tem tempo para reciclar, mas para produzir o lixo sempre encontra algum. Você mente em pesquisas para não mostrar o quanto sua vida é vergonhosa. Finge que é feliz para o trabalhador do Senso que eu sei. Você diz que tem pena de quem não tem o que comer, mas quantas vezes você passou por um esfomeado e nem mesmo cogitou ajudar, não é mesmo? Você foi criado numa sociedade com algumas morais deturpadas, a maioria das informações que chegam a você é manipulada, escondidas, mudadas ou exaltadas por interesses de terceiros.  Você compra coisas que não precisa para se sentir feliz, mas descobre em seguida que essa felicidade era ilusória, que na verdade era outra coisa que você gostaria de ter comprado. Você se apaixona por imagens, por projeções que faz imaginando como as pessoas são, e se desilude cada vez que percebe que não era. Você sente mais compaixão por animais abandonados que por moradores de rua. Você se encolhe de medo quando um negro mal vestido passa por você a noite, mesmo que você também seja negro, e isso é muito estranho, mas você faz. Você finge que é uma pessoa diferente em cada um dos seus círculos sociais, representando papeis, dando respostas que se esperam de você, mas tudo bem, nem você sabe qual dessas personalidades é sua, se é que alguma delas é.
Eu sei quem você é, porque eu também sou. Todos nós somos. Todos nós fomos criados por uma sociedade que nos dá martelos e nos pede que coloquemos parafusos, você também sabe disso, você também me conhece.  Posso passar páginas e mais páginas dizendo quem é você, quem sou eu, quem é seu vizinho. Mas espera aí... Nem todo mundo é igual, pode pensar um leitor desavisado enquanto bebe mais um gole de coca cola gelada.  Ele está errado, deveria ter ficado na internet, você pensou, eu também pensaria. Quem ele pensa que é para me dizer assim o que eu penso, não sou igual a todo mundo, sou especial, sou acima da média!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Falta de um motivo.


Reza a lenda que havia um senhor muitíssimo frágil. Tão fraco que uma brisa de fim de tarde na nuca o deixava uma semana inteira de cama. Vivia no hospital. Todos os dias. A vida toda foi assim. Seus pais também muito doentes morreram logo que ele fez quatorze anos. Com dezoito conseguiu se aposentar por invalidez e deixou de viver das doações da vizinhança. Aos 20 ganhou um apelido dos internos do hospital: Podrinho. Pode parecer ofensivo para você, mas ele não dava a mínima importância. Eram as únicas pessoas que conversavam com ele.
Voltando à época em que os fatos se sucederam. Agora com 47 era conhecido por Seu Podrinho. Sinal de respeito, ele pensava. Todos os dias ele aparecia no hospital e o diagnosticavam com uma nova doença. Hipertensão, sarampo, cólera, chagas. O Homem era um verdadeiro imã de disfunções, bactérias e vírus. Seu Podrinho nunca teve vida. Sua vida era o hospital e a solidão do seu lar. Nunca se apaixonou, nem se apaixonaram por ele. Levava uma vida miserável.
Certo dia, já não aguentando mais ver o nosso fatídico herói, o médico chefe escalou uma enfermeira para cuidar dele em casa. Ela quase enlouqueceu de tanto trabalho, no segundo dia. Mas algo sem muita explicação aconteceu. Seu Prodrinho começou a ficar menos doente. Em uma semana já conseguia passear no parque. Ir buscar o próprio jornal. Conseguia até mesmo fazer seu próprio café. Logo ele pensou que a enfermeira era um ser iluminado que estava ali para fazer o seu bem. Para lhe confortar e deixar sua miserável vida menos sofrida e até prazerosa em certos momentos. Descobriu que estava apaixonado. Não com uma paixão carnal. Era uma paixão maternal, ela era a mãe que há muito tinha partido. Uma mãe pelo menos 20 anos mais jovem do que ele.
Passado um mês que ele já não apresentava nenhuma alteração, forte e saudável, se exercitando e pensando em começar a trabalhar, ela não veio. Seu Podrinho logo se preocupou. É claro, ela ficou doente. Ele correu para o hospital e ficou esperando abrir. Para sua surpresa quem destrancou a porta foi sua adorada enfermeira. Ele foi logo perguntando o que estava acontecendo. Foi informado que por falta da necessidade da presença dela, recebeu uma ordem para voltar ao hospital. Seu Podrinho ficou cabisbaixo e voltou para casa chutando as pedras que encontrava no caminho. Ele nunca mais voltou ao hospital. Morreu dois dias depois de tristeza e solidão.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Marcou? Marcão.

 Na mesa do bar, um grupo de amigos conversa alegremente quando um deles começa uma história:
-Ontem levei uma gatinha no motel e adivinha quem encontrei? O Marcão.
    Marcão era um cara que vivia se gabando do seu carrão, da sua bela casa e da sua linda mulher. Esses caras narcisistas que acham que o que eles têm é melhor que o de todo mundo. Mal podia ver um lançamento, de qualquer produto que fosse, lá se ia o Marcão correndo comprar. Vivia sem grana, mas nunca admitia.
    Usava o cartão de crédito como um escudo. Com ele, Marcão se escondia dos seus problemas. Não comia bife em casa, mas sempre de celular novo. A torneira precisando trocar a muito tempo, mas o Ipod era intocável. Você, com certeza, conhece alguém assim. Uma vida de aparências.
    Muitos invejavam o Marcão. As garotas sempre corriam atrás dele, apenas as fúteis. Todos o achavam interessantíssimo, menos os que já o conheciam. Marcão era considerado de longe: Um exemplo. De perto: Um desastre. Ele sempre soube disso, mas não podia aceitar. Seria o fim do seu mundo perfeito.
    Voltemos ao bar e a história.
-Então, entrei no motel e já vi o carro dele estacionado na porta de um dos apartamentos. No começo fiquei na dúvida se era mesmo o carro dele. Espiei pela janela e vi o DVD novo que ele faz questão de dizer que tem em qualquer conversa, tenha ou não á ver com DVDs. Não tive dúvida. Roubei o DVD dele. Tá ali no meu carro. A hora que ele chegar, eu vou convidar ele pra assistir um DVD no carro dele. Só para ver a reação. Depois devolvo.
    Alguns minutos depois entra Marcão, com seu ar esnobe de quem quer toda atenção.
-E aí Marcão! Como tá essa força?
-Muito bem. Acabei de comprar um aparelho de DVD novo. Ultimo lançamento nos Estados Unidos. Toca MP3, WMP, AVI, THC, LSD e IPTU. É lindo.
-Nossa cara, mas você não comprou um esses dias. (todos tentando conter o riso)
-Pois é rapaz. Ontem levei minha mulher no cabeleireiro e fui pra casa a pé. Deixei o carro com ela. Não é que roubaram o Som do carro na frente do cabeleireiro. Ela chegou em sua casa arrasada, toda descabelada, coitada. Achou que eu ia ficar muito triste com ela. Mas que nada. Tô feliz. Pude comprar outro bem melhor.
    Todos engoliram o sorriso e nunca mais se falou no DVD.
    Outra do Marcão quem me contou foi um amigo em comum. Estava toda turma reunida, quando ele veio desafiar todos que estavam na mesa:
-Duvido seus franguinhos, que algum de vocês tenha capacidade de me contar uma história triste e engraçada ao mesmo tempo.
    Sua mulher que odiava esse tipo de exibicionismo ficou notavelmente irritada.
-Vamos lá. Duvido que qualquer um de vocês consiga me contar uma história triste e engraçada ao mesmo tempo. Alguém acha que é capaz? Talvez nenhum de vocês tenha essa capacidade.
    Os amigos já estavam quase contando a história do DVD, quando a mulher do Marcão disse:
- O teu chefe tem um pinto ainda menor que o teu.
    Marcão, que até esse momento estava gargalhando ao tirar sarro dos colegas, congelou. Houve uma explosão de risadas entre o pessoal e Marcão foi embora cabisbaixo. Deixou a mulher e o carro e foi embora a pé.
    Dois dias depois ele se matou. Talvez não tivesse graça mesmo. Essa era vida de Marcão. Tão metido que morreu de desgosto ao perceber que sua vida não era um mar de rosas. Marcou.


Classificados
Vende-se DVD de carro seminovo. Preço a combinar.

O menor conto de fadas da história.


Era uma vez, um País de faz-de-conta.
Na ultima sexta feira a princesa chamou a fada madrinha e disse:

-Madrinha, eu quero que você transforme toda pessoa má, que existe no mundo, em sapo.

-Que seja feito.

Plim. Aconteceu. Ninguém virou sapo, mas a princesa aprendeu que pessoas totalmente boas, e totalmente más, só existem em contos de fadas e em Brasília. Como era sexta feira todos estavam de folga e ninguém foi feliz para sempre.

O Chato


-Odeio quando usam essas roupas moderninhas. Porque as pessoas não se vestem como pessoas?
-Prefere um estilo mais clássico e social então?
-Odeio quem anda como um pinguim. Todos esses acessórios... Para que?
-Ontem fui ao cinema ver 2012.
-Nossa odiei esse filme. Filme vazio. Se não fosse pelos efeitos especiais...
-Depois fui ao Mcdonalds. Adoro o Mc.
-Odeio. Aquele molho especial parece creme de catarro. Cara como eu odeio Mcdonalds.
-Você é meio estranho. Depois peguei o carro e voltei pra casa. O trânsito tava meio agitado.
-Cara! Odeio dirigir. Odeio os babaquinhas que ficam se achando com seu carrão. Também me irritam aquelas piriguetes que não podem ver um playboy que já vão logo se assanhando.
-Meu, como você é negativo. O que mais você odeia?
-Odeio essa sociedade animalesca, odeio futilidades, odeio metidos á intelectualóide, odeio consumidores, vendedores, caixas de banco, bancos de praça, ônibus, moto, povo, shopping, parque, gordura, leite, chefe e mais algumas coisinhas que não lembro agora.
-Caramba, não tem nada que você goste.
-Claro que sim. Adoro falar mal das coisas que odeio.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Cavaleiro e o Amuleto.


Essa é a história de um cavaleiro da idade média. Não lembro de que país era nem a que reino pertencia, mas lembro de sua sina.
O cavaleiro era uma pessoa não muito boa. Ele era politicamente bem incorreto. Nunca havia vencido uma batalha de forma limpa. Sempre teve vontade de lutar da maneira correta, mas não tinha talento e acabava sempre encostado na parede. Na hora que batia o desespero fazia qualquer coisa para ganhar. Assim conseguiu algumas vitórias e muitas derrotas. As vitórias tinham um gosto amargo. O gosto amargo de não se fazer a coisa certa. O medo também o atrapalhava. O medo de falhar.
O cavaleiro desde muito cedo foi visto como um jovem com enorme potencial. Um eterno potencial que nunca foi nem seria atingido. Isso lhe dava a sensação de que tudo que ela fazia era uma grande e enorme farsa. Que nunca teve chance de ser quem todos achavam que ele seria.
Até que um belo dia ele achou um amuleto. Por algum motivo ele amou o amuleto desde a primeira vez que percebeu que a peça lhe pertencia. O amuleto funcionava como uma fonte de energia. Na presença do amuleto tudo era mais gostoso. Tudo ganhava um sentido imperceptível para o cavaleiro até então. O amuleto passou a ser a vida dele. Seu presente e seu futuro. O passado, de alguma forma estranha, tinha deixado de existir. O amuleto ensinou-lhe que a vitória limpa podia existir.
O tempo foi passando e o amuleto parecia que estava perdendo a sua força. Já não trazia toda felicidade de outrora. Ainda assim ele sabia que amava aquele objeto de luz. Certo dia o cavaleiro pensou que talvez sua jóia precisasse de um tempo para recuperar tudo que já havia extraído dela. E ele esperou. Com muita dor ele esperou. Sem seu amuleto ele já não era mais nada. Nem se lembrava de como era antes da sua fonte de luz aparecer. As derrotas voltaram a acontecer. Mas ele sempre teve uma convicção: “Ele vai voltar. Fomos feitos um para o outro. Em breve, vai voltar.”
Os dias foram passando e o amuleto, ou a imagem que ele ainda tinha do amuleto, foi ficando cada vez mais distante. “Não quero mais viver” ele pensou. Pensou porque tudo que ele tinha era seu amuleto e sua dignidade. Quando o objeto se foi, ele se afundou tanto em suas próprias frustrações. Esqueceu da lição sobre vitórias limpas e mergulhou num poço sem fim. Acabou perdendo também sua dignidade. Nada mais restava.
Um dia remexendo em um casaco velho encontrou a sua peça rara e chorou. Chorou porque percebeu que seu amuleto sempre esteve ali e ele deixou de usá-lo. Não por opção, mas porque não sabia mais usá-lo. Tanto tempo afastados deixaram o cavaleiro sem rumo. Ele não confiava mais que poderia vencer o menor obstáculo que aparecesse. Em certo dia o cavaleiro, que já andava depressivo por não conseguir mais compreender o porquê de seu amuleto não funcionar, pensou que talvez devesse deixar o ele ir embora. Talvez para a posse de algum cavaleiro que merecesse ser dono de tamanha dádiva. Foi o pior momento da sua vida. Ele sentiu como se lhe arrancassem o coração do peito. Nada mais fazia sentido. Foi atrás da sua razão de viver. Sem essa razão não havia mais objetivos na vida. Ele sabia que se arrependeria muito se isso acontecesse.
Ele chorou, esperneou, mostrou que poderia ser feliz se tivesse seu amuleto de volta. O amuleto voltou para suas mãos. Depois disso ele percebeu que o amuleto nunca perdeu sua força. O cavaleiro que já não conseguia mais ver o bem que o amuleto fazia a ele. Ele então compreendeu que enquanto ele tivesse vontade de lutar, o amuleto estaria estar com ele. Se ele foi feliz para sempre? Quem sabe dizer?